Esforço-me para acolher e educar a criança rebelde, espalhafatosa, e, ao mesmo tempo, adorável que existe em mim. Gosto de mantê-la solta para fazermos algazarras, festas e rirmos até doer a barriga. Dou-lhe espaço e liberdade para brincarmos muito e adoro quando a percebo livre. Talvez seja essa a razão de eu ser invocada, com frequência por vários(as) queridos(as), pelo diminutivo do meu nome. Porém, não lhe entrego o comando das minhas atitudes e dos meus passos. Esforço-me para manter o leme da minha vida sob o comando do que sou agora: uma mulher adulta, esclarecida e responsável pelos seus afetos. Afetos não se barganham. Até a minha criança sempre soube disso. Quando eu era ainda pequena, as meninas abastadas que aglutinavam "amizades" em troca da concessão de tocarem seus brinquedos caros, não me seduziam para suas rodas. Ao mesmo tempo, nunca tive dificuldades para compartilhar com elas o meu território de papéis, corantes, galhos, gravetos, folhas e frutos do nosso largo quintal, sempre cheio de plantas e árvores frutíferas. As meninas abastadas sempre foram bem-vindas no meu universo, quando desejavam participar dele, sem qualquer tipo de barganha, só pelo prazer das nossas companhias. Criança ou adulta, nunca me causou deslumbramento a concessão de tocar brinquedos e/ou obter qualquer tipo de alcance material, através das minhas amizades; pois brincar com bonecas que falam nunca me interessou. Só pode ser leal quem não depende. Quem depende age por interesse e se "aproveita" da cegueira do outro quanto ao seu poder de encantamento natural. Somente o natural me encanta e me arrasta.
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Sobre a tal "química"
Tentei me conformar com o pouco que me ofereceram. Tentei com todas as minhas forças. Luta ferrenha das "brabas" comigo mesma para aceitar a imensa generosidade que diziam haver no pouco que me cabia. Não consegui. Há quem diga que meu ego me impediu. (Vai saber? O tempo me dirá.) Há quem diga que isso é natural, pois a "química do muito nos relacionamentos" não se determina pelo tanto que eles possam sacudir o nosso baixo-ventre. Isso é SÓ sexo, aqueles dois minutinhos de cócegas no clitóris, possíveis de serem alcançados com êxito mesmo sozinha ou até com estranhos. A "química dos relacionamentos" está na Reciprocidade que se apresenta, seja positiva ou não, em todas as esferas da vida. É possível o sexo sem orgasmo e também o sexo sem química, mas não há como existir relacionamento sem Reciprocidade. Para mim, que sou alguém que ama de forma explícita, declarativa, sem segredos, que não me envergonho de nada que me faz bem e que, por isso, não necessito manter nada escondido dos meus amores; é fria total tentar amar quem não consegue, de forma alguma, dissociar desejo sexual de desejo de intimidade na vida. Quando minha memória me liga ao pouco perdido, recorro à lembrança dos enormes desconfortos que esse "desencontro" de visão me traz, sempre que insisto nos meus equívocos. Daí, o que me cura é a aproximação com quem me oferece, com naturalidade, a tal Reciprocidade que há muito além dos orgasmos. A isso eu chamo "química".
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Sobre desejos
Já desejei o que me transbordasse e quando o obtive, percebi que, paralelamente àquela deleitosa efervescência, aquilo me inundava, arrastando partes preciosas da minha "construção" numa enxurrada incontrolável. Também já desejei o que não me continha e percebi que, em meio à sensação de 'encontro", aquilo me apertava, machucando-me ao ponto de imprimir marcas na minha concretude. Daqui, desse "ponto em que estou, com meu Pai e minha Mãe", só desejo o que possa comportar com naturalidade minha inteireza, me acolhendo com a reverência e o reconhecimento recíprocos e naturais dos semelhantes que partilham carinho, amorosidade e prazeres, dispensando todo e qualquer tipo de esforço. Agora só desejo as efervescências que me completarem, sem me furtar de mim, e os aconchegos que me aninharem, sem me deixar um rastro de dores. Começo perceber que Amar é uma dádiva com medidas justas e precisas à qual nada falta nem sobra. Glória à Vida que tudo sempre ensina, mesmo àqueles(as), como eu, com tantas dificuldades e resistências em relação ao bom aprendizado. Desejo, igualmente, que todos(as) encontrem suas medidas exatas e confortáveis e que não lhes falte a ousadia libertadora de desfrutá-las por inteiro. Namastê e Namastudo!
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Espécies, cada qual é de uma.
Aos poucos vou me dando conta que meu inconformismo é só o eco da minha burrice em confundir as espécies. Eis aí a via pela qual me conecto com aquilo que tanto tenho execrado: esse meu lado "anta cega, surda e ruidosa"! Sigo cavocando-me para dar a essa água rasa da minha natureza a profundidade que me completa, não desperdiçando mais o melhor de mim nesse vaguear enfadonho pelo meu universo praiano e deixando-me, definitivamente, serenar pela convicção de que a praia, com todos os seus encantos (que tanto os reconheço!) jamais me bastaria porque sou do fundo do mar.
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Uso medicinal: LIBERA!
Anos atrás, uma amiga-irmã muito querida fez a passagem próximo dos seus 35 anos, por causa de um câncer nos dois pulmões, sem nunca ter sido fumante; resultado de uma metástase que progrediu e alcançou também outros órgãos. No estágio mais avançado da doença, ela tentava fazer piada do seu martírio para aliviar o desespero dos seus amores mais próximos, reclamando ironicamente com um riso forçado nos lábios: "- Só dói quando eu respiro.". Ainda hoje a feição daquela jovem linda, meiga e de uma fé inquebrantável, quando agia assim, continua viva na minha memória, apertando o meu coração quando se acende (como agora!). A certa altura dos acontecimentos, o médico que a assistia prescreveu o uso dessa planta para aliviar o seu calvário e, indiretamente, o de todos que também se doíam um pouco mais a cada dia com a impotência frente ao inevitável. Presenciamos o alívio que esse recurso lhe trouxe e ficamos muito gratos à Natureza pela existência desse remédio. Quem nunca passou por uma situação tão drástica, tão real e tão agonizante como essa, talvez sinta dificuldade para compreender a importância dessa medida governamental. Também compreensível. Fiz questão de registrar esse relato pensando naqueles que hoje possam estar enfrentando algum sofrimento desse tipo e que, talvez, encontrem nessa experiência algum alento.
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
"Ah, esse tal de amor!"
Esse tal de amor(zinho) é um nó misterioso, apertado e difícil de ser desatado. Já o Amor, não. O Amor é certeiro, indelével e impossível de ser ignorado. É soberano a tudo. Todas as pequenezas da alma se rendem a Ele. Muitos juram amar e até acreditam piamente nisso, sem perceberem que só conseguem amar esse amor(zinho) declamado, desvinculado de atitudes amorosas, que só age na barganha de conveniências, que sempre causa dor e que sobrevive e se fortalece apenas no ego de quem ainda não sabe o que é o Amor. Esse amor(zinho) aprisiona, engana, esconde, usa, fere, compra e vende afeto, é mesquinho e traiçoeiro, se alicerça no bem-estar próprio e, para tanto, não vê limites: cria farsas, trapaceia, mente, dissimula e quando você se esforça para sublimar certas atitudes, acreditando que tudo pode mudar, logo ali adiante a Vida vem e desvenda mais uma trapaça. O amor(zinho) não muda. A sua natureza é vil. Não por maldade premeditada, apenas por desconhecer o Amor; por nunca tê-lo vivido. Só os fatos e as atitudes podem distinguir um do outro. E quando doer, saiba: é o tal amor(zinho)! Não se iluda; não alimente esperanças de que possa transformá-lo em Amor. É impossível. O amor(zinho) foge do Amor como o diabo foge da cruz, porque o seu único objetivo é preservar a dominação sobre o outro e o Amor dissolve instantaneamente essa sua pretensão. Se você for um(a) Buscador(a) e se deparar com um amor(zinho), não se deixe deter por ele; simplesmente, libere-se desse trilho torto que o seu ego o(a) colocou e deixe quem está feliz com o seu amor(zinho) seguir livre, fingindo com as suas artimanhas. Retome o seu rumo o mais rápido possível, convicto(a) de que o Amor sempre estará no comando de tudo. Antes de partir, lembre-se de recolher suas energias entregues ao voraz amor(zinho) e devolva-lhe as que ficaram em você, ambas, por engano. Quando e se a saudade aparecer, peça a ela que tenha paciência porque chegará o tempo em que todos(as) seremos capazes de amar e estaremos reunidos no Amor.
terça-feira, 21 de junho de 2016
Passo por passo
Ser inteiro exige uma decisão por si mesmo, bastante difícil; uma vez que fomos condicionados a acreditar que a pessoa não egoísta é a que, antes dela, prioriza o outro. É preciso reconhecer que só é possível priorizar o outro se, antes, pudermos nos aceitar e nos atender. Colocar-se no centro da nossa própria existência é um ato de compaixão e de humildade conosco mesmos, a ser compartilhado de igual para igual com todos os outros. Sem essa vivência, o outro só representará elementos de barganhas ou plateia para discursos vazios de atitudes. O segundo grande desafio é entregar-se às próprias dores acumuladas e soterradas no nosso inconsciente, o que costuma ser impedido pelo medo de reviver perdas ou pela vergonha daquilo que provocamos para causá-las. Aceitar reconhecê-las, à primeira vista, pode parecer um errar e um perder novamente, mesmo no tocante às vivências ocorridas já há bastante tempo. Tudo o que carregamos hoje, não importa quando tenha sido “criado”, faz parte do nosso aqui e agora; é presente. Então, esse terror tenta sempre nos impedir a escolha pelo resgate dessa parte adoecida de nós, lançada no mais profundo do nosso abismo interior. Nossos recursos intelectuais ignoram os desafios e os perigos da caminhada invisível e em nada podem nos valer. Para se entregar é preciso uma fé inabalável de que a Força Superior, que tudo conhece e tudo pode, comandará nossos passos durante a travessia. A convicção da entrega aciona essa Força Suprema que mobiliza o Universo inteiro para que toda a necessidade de todos(as) os Buscadores(as) seja “milagrosamente” suprida. Nossos amores todos estarão a vigiar nossa caminhada para não nos deixar esquecer quem somos e o que viemos buscar nesse mundo, os médicos mais competentes surgirão para aliviar a lida com as nossas dores; dos mais variados cantos, chegarão os mensageiros para nos indicar o rumo determinado e os guardiões dos portais estarão sempre a postos para, alegremente, nos liberar as passagens. Fé é não duvidar que jamais faltará Amor para os que escolhem o Amor; em primeiro lugar, por si mesmos. É sempre o “Eu” a via pela qual se produz e se distribui o Amor. Vencido o percurso, a recompensa é a possibilidade de fartar-se de tudo o que produz brilho e que só pode ser alcançado por quem brilha. Após uma pausa para se recompor, logo se inicia uma nova jornada. Não tem fim; até virarmos brilho puro. O momento certo para a tomada da decisão pela busca é o de cada um, e não é preciso ter pressa porque a Eternidade estará sempre ao nosso dispor. Estou seguindo. Será uma alegria nova e ainda mais profunda abraçar quem, pacientemente, já me aguarda nas próximas paradas e também, um dia, me reencontrar com todos(as) com os quais cruzei pelo caminho para rirmos muito das agruras enfrentadas. Vejo vocês lá na “Terceira margem do rio”!
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